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Nós fomos ensinados a cultuar o produto final. A obsessão pelo deploy em produção, pelo lançamento polido e pela versão 1.0 tornou-se o Santo Graal da tecnologia. Contudo, essa mentalidade é uma armadilha perigosa. Ela nos força a investir recursos, tempo e reputação em uma resposta antes mesmo de termos certeza da pergunta. Portanto, ao mirar na perfeição distante de um produto, perdemos o foco no ativo mais valioso que existe: o aprendizado validado.
Você sente isso? Aquele atrito sutil, a burocracia que surge do nada, a perda daquela “magia” que sua empresa tinha quando todos cabiam em uma sala. Muitos culpam os processos, a cultura ou a gestão. Contudo, a verdade é mais profunda e está gravada em nosso DNA. Sua empresa não está falhando por causa do mercado; ela está colidindo com um limite neurológico fundamental que a maioria dos líderes ignora por completo.
Esqueça por um momento os frameworks ágeis e as metodologias de gestão da moda. Eles são apenas analgésicos para um problema crônico, uma tentativa de usar software para consertar um bug de hardware. Nesse sentido, o problema não está no seu organograma. O problema está no neocórtex da sua equipe.
Nos anos 90, o antropólogo britânico Robin Dunbar estabeleceu uma correlação chocante: o tamanho do neocórtex de um primata determina o tamanho máximo do grupo social que ele consegue manter com coesão. Para os humanos, esse número mágico é de aproximadamente 150. Embora muitos gestores ignorem este limite biológico como uma mera curiosidade acadêmica, a realidade mostra que, ao ultrapassá-lo, a confiança implícita se degrada, resultando em uma explosão de burocracia e uma queda vertiginosa na velocidade de decisão.
Consequentemente, a comunicação, que antes era fluida e orgânica, se torna um monstro de silos, reuniões infindáveis e desalinhamento crônico. A pesquisa de Dunbar na Universidade de Oxford é clara: nossa psicologia foi forjada em pequenas tribos caçadoras-coletoras. Portanto, esperar que ela funcione perfeitamente em corporações de 500 ou 1000 pessoas sem um design organizacional consciente é, no mínimo, ingênuo. É uma negação da nossa própria natureza.
O crescimento cego não é escalabilidade, é inchaço. A solução não é mais gestão, mas sim uma arquitetura organizacional que respeite os limites cognitivos humanos. Este é o novo modelo: projetar para a biologia, não contra ela.
Seu cérebro, por mais brilhante que seja, possui uma capacidade finita para manter relações sociais estáveis. Ultrapassar o número de Dunbar significa que as pessoas se tornam abstrações, meros nomes em um e-mail. A confiança, a base da colaboração de alta performance, exige familiaridade. Além disso, a pesquisa de Dunbar aponta para os “mecanismos cognitivos e neuroendocrinológicos que sustentam os laços sociais” como sendo a chave. Quando esses laços se rompem por excesso de escala, o sistema imunológico da sua empresa – a cultura – entra em colapso.
Em um grupo com menos de 150 pessoas, o controle social é mantido por meio de reputação e confiança mútua. Todos se conhecem, direta ou indiretamente. Contudo, quando essa barreira é quebrada, a organização inevitavelmente se fragmenta em feudos e coalizões. A lealdade passa do todo para a parte, do time para a “panelinha”. Nesse cenário, a energia que antes era usada para inovar e competir no mercado é desperdiçada em política interna, proteção de território e comunicação defensiva. Sua empresa deixa de ser um organismo único para se tornar um ecossistema de tribos em guerra.
Você não pode reescrever milhões de anos de evolução. Mas pode, e deve, redesenhar sua organização para fluir com a correnteza da natureza humana, em vez de lutar contra ela.
O Número de Dunbar não é uma sentença de morte para o crescimento. Pelo contrário, é o manual de instruções para um crescimento sustentável e humano. Ignorá-lo é programar o fracasso, é insistir em um sistema operacional que a nossa biologia rejeita. O desafio para os líderes visionários de hoje não é simplesmente escalar. É escalar a confiança, a coesão e a alma da organização. A biologia não é a limitação; é o framework. É hora de usá-lo.
Neocortex size as a constraint on group size in primates (Dunbar, 1992)
Co-evolution of neocortex size, group size and language in humans (Dunbar, 1993)
Harvard Business Review — Aplicações organizacionais da Dunbar number (artigo de visão)
BBC Future — Explainer: How many friends does one person need?
Scientific American / Popular science explainer on Dunbar’s number and modern organizations
Vamos direto ao ponto. Por que sua equipe, composta por talentos brilhantes, consistentemente aprova prazos que todos, em segredo, sabem ser uma fantasia? A resposta não está na falta de competência ou em uma análise técnica falha. Pelo contrário, o problema reside em um fenômeno muito mais sutil e destrutivo: a gestão do acordo, não do desacordo.
Você acredita que toma decisões racionais. Lógicas. Baseadas em dados. Contudo, essa convicção é, na maior parte do tempo, uma perigosa ilusão. Em tecnologia, onde a complexidade e a incerteza dominam, insistimos em nos ver como arquitetos de um futuro deliberado. A verdade, no entanto, é muito mais desconfortável: quanto mais você investe tempo, código e capital em uma má decisão, mais inteligente parece continuar investindo.
Prometeram uma revolução. Um mundo onde qualquer pessoa, de qualquer departamento, poderia construir aplicações robustas com a simplicidade de arrastar e soltar blocos. O movimento low-code e no-code explodiu, impulsionado por uma narrativa de agilidade e redução de custos. De fato, a consultoria Gartner prevê que, até 2025, 70% dos novos aplicativos serão construídos com essa tecnologia. Contudo, por trás dessa fachada de empoderamento, estamos arquitetando silenciosamente nosso próximo grande pesadelo tecnológico.
Ouve-se nos corredores e nas salas de reunião: a Geração Z é despreparada, pouco profissional e incapaz de lidar com a pressão. Seis em cada dez empresas admitem já ter demitido um funcionário dessa geração em meses. Contudo, essa narrativa é uma simplificação perigosa, um diagnóstico preguiçoso para um problema sistêmico. A verdade inconveniente é que a Geração Z não está falhando com o RH. Pelo contrário, ela está expondo, com uma clareza brutal, como os processos de RH já estavam fundamentalmente quebrados.
Eles não são o bug. Eles são o debugger.
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