Combinando o Mapa (Deck de Cartas) com Estruturas Libertadoras
Recebi no mês passado o Mapa desenvolvido pelo Espírito Criativo! Um deck com 42 cartas divididas em 4 blocos distintos para auxiliar pessoas e organizações a navegarem no mar da inovação.
Se você acha que inovar é caro, não inovar é mais caro ainda. As mudanças estão acontecendo e não acompanhá-las ou mesmo se não antecipar a elas pode ser determinante para o seu sucesso ou fracasso.
No dia em que recebi as cartas, era o último dia do Treinamento de Design Thinking que estava conduzindo de forma presencial e por este motivo não tive tempo hábil para pensar em dinâmicas com o Mapa. Usei apenas algumas perguntas para questionar os protótipos que meus alunos estavam criando.
Na próxima semana terei a oportunidade de utilizar de fato as cartas e claro, retorno aqui para contar para vocês como foi a experiência. Minha ideia foi combinar o deck de cartas com as Estruturas Libertadoras.
Estruturas Libertadoras em conjunto com o uso das cartas podem levar as pessoas a encontrar e a questionar de forma efetiva as soluções encontradas. Uma das melhores formas de libertar o potencial de uma equipe é fazer as perguntas certas para melhorar o aprendizado e explorar diferentes perspectivas.
Neste sentido o Mapa contempla 4 áreas que as equipes que estão em busca de desenvolver novos produtos necessita:
Criação: as perguntas buscam explorar formas de como materializar o que idealizamos. Um dos desafios mais comuns das organizações na hora de inovar é tirar a ideia do papel. Geramos muitas ideias, mas realizamos pouco. Neste bloco encontramos perguntas como essas:
Por que devo fazer assim?
Quem fez isso antes? E se eu for além?
E se tudo mudar de repente?
Imaginação: Neste bloco está a busca pelo conhecimento. Busca explorar o que sabemos e principalmente o que não sabemos. Explorar o problema e investir em uma etapa de sensemaking é essencial para se buscar a iniciativa certa. Ouvir diferentes perspectivas é uma chave para entender o problema de diferentes maneiras. Neste sentido, temos perguntas como:
Onde estão minhas referências?
O que carrego comigo?
O que eu posso ensinar?
Conexão: Buscamos entender aqui como nos conectamos com os desafios que o mundo apresenta. Saímos de um plano mais técnico para explorar os modelos mentais. O Pensamento Sistêmico ensina que precisamos trazer à tona nossos modelos e crenças para entendê-los e fazermos as modificações necessárias. Nenhum modelo mental é certo, inclusive este. Aqui vamos encontrar perguntas como:
Quem se conecta com essa ideia?
E se eu me abrir para os outros?
Por que isso me encanta?
Inovação: recebemos por meio das perguntas um convite para seguirmos em frente. A ideia aqui é a interação. Precisamos encontrar formas para encontrar o próximo passo e atender as necessidades das pessoas. Vamos encontrar aqui perguntas como essas:
O que falta aqui?
E se eu estiver errado?
E se eu olhar em outra direção?
Para combinar este deck de cartas com as Estruturas Libertadoras, basicamente podemos selecionar uma pergunta e pedir que as equipes respondam em conjunto. Temos inúmeras possibilidades. Você pode levar de 5 a 50 minutos para responder a uma pergunta. Isso depende do nível de profundidade que quer atingir e aonde você precisa chegar.
Estrutura: 1-2-4-Todos
Essa estrutura é a que eu mais uso. Ela incentiva a participação de todos. Desde aqueles que falam muito, até os menos comunicativos. O ideal é que todos sejam ouvidos na hora de responder as perguntas.
Como fazer:
Espaço e Materiais:
Mesas e cadeiras opcionais
Papel para participantes tomarem notas
Sequência de Passos:
Antes, selecione a pergunta no bloco de acordo com a sua necessidade.
l min. Reflexão individual silenciosa
2 min. Gere ideias em uma dupla, criando sobre as ideias da auto-reflexão.
4 min. Em quartetos, compartilhe e desenvolva ideia a partir da conversa em sua dupla. Convide a perceber similaridades e diferenças.
5 min. Pergunte, “Qual foi a ideia que se destacou em sua conversa?” Cada grupo compartilha uma ideia importante com todos (repita o ciclo caso necessário)
Desenvolva as ideias a partir dos insights encontrados.
Algumas dicas para a 1-2-4-Todos:
- Seja preciso com os tempos e faça outra rodada se necessário;
- Em maiores, durante o “Todos”, limite o número de ideias compartilhadas para três ou quatro
- Convide cada grupo a compartilhar um insight, mas não repetir insights já compartilhados
- Adie julgamentos; apresenta as ideias de forma visual; saia da caixa!
- Faça uma segunda rodada se você não aprofundou o suficiente!
Estrutura: Wise Crowds
Essa estrutura existe para explorar a sabedoria de grandes grupos. Ele cria um espaço onde as pessoas podem obter ajuda em um desafio persistente e trabalhar com outras pessoas para desenvolver e praticar comportamentos que ajudam a superar outros desafios.
Como fazer:
Espaço e Materiais
Grupos de 4 a 5 cadeiras, mesas opcionais
Papel para anotações dos participantes
Sequência de Passos:
Convide participantes a escolher uma pergunta e a pedir ajuda, conselhos e recomendações aos demais, que atuarão como um grupo de “consultores”.
Cada pessoa que solicita uma consulta (o cliente) terá quinze minutos da seguinte forma:
2 min. Cliente apresenta o desafio e solicita ajuda
3 min. Consultores fazem perguntas de esclarecimento
8 min. Cliente se vira de costas para os consultores e se prepara para tomar notas
Consultores se fazem perguntas, oferecem conselhos e recomendações, trabalhos em equipe
2 min. Cliente se vira de volta para o grupo e oferece feedback aos consultores: o que lhe foi útil e o que leva da consulta realizada.
Algumas dicas para a Wise Crowds
- Convide um grupo diverso para explorar a questão
- Relembre sempre aos participantes para tentar permanecerem na direção da experiência dos clientes.
- Aconselhe os consultores e se permitirem correr riscos
- Convide os participantes a não evitarem desafios complexos que não têm respostas fáceis
- Você pode usar ainda a Estrutura 15% Solution para traçar um plano de ação.
Conclusão
Não utilizei ainda os Cards combinados com as Estruturas, mas já utilizei as Estruturas dezenas de vezes. São muitos resultados e insights que são gerados. Organize tudo e compartilhe com as demais pessoas da organização e principalmente com os Stakeholders. Evite criar expectativas e trabalhe sempre com equilíbrio.
Até a próxima!
Sobre o autor
- Sólida experiência em Metodologias Ágeis e Engenharia de Software, com mais de 15 anos atuando como professor de Scrum e Kanban. No Governo do Estado do Espírito Santo, gerenciou uma variedade de projetos, tanto na área de TI, como em outros setores. Sou cientista de dados formado pela USP e atualmente estou profundamente envolvido na área de dados, desempenhando o papel de DPO (Data Protection Officer) no Governo.
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