A Educação do Futuro é Ágil: EduScrum

Neste artigo vamos fugir de temas técnicos para falar um pouco sobre a educação do século XXI. Como um professor holandês uniu educação e scrum.

Recentemente participei do Business Transformation Summit, evento que encoraja os participantes a pensarem sobre as transformações que podemos fazer, a fim de nos adaptarmos aos desafios que estão por vir. Não foi um evento onde o speaker fala, fala e fala e a plateia apenas escuta, foi um evento colaborativo, prezando pela cocriação de ideias e amplos debates.

Um dos temas abordados foi a reflexão de como será a educação no século XXI. Será o aluno o protagonista do seu próprio aprendizado? A educação a distância é o futuro? Por que estudar com início e fim definidos e com disciplinas pré-estabelecidas? Precisamos de horário ou vamos estudar no nosso tempo?


Cursos de Excel e Power BI

Não temos resposta para as perguntas acima, para alguns mais ortodoxos isto ainda é uma realidade distante que não pode ser mudada, para outros a mudança precisa ser feita levando-se em conta principalmente que a informação não é mais privilégio de poucos.

Aliar as práticas ágeis de gerenciamento de projetos ao aprendizado pode ser um meio para respondermos algumas das perguntas acima. Foi exatamente isto que um time de professores holandeses liderados pelo professor Willy Wijnands fez: adaptaram o scrum a sala de aula.

Pode ser que você não seja familiar com o Scrum, mas provavelmente você tem alguma experiência aprendendo ou ensinando algo, seja em escolas ou faculdades. O eduScrum junta educação ao scrum.

Scrum é framework, inicialmente criado para gerenciar projetos no setor de tecnologia, entretanto pode ser aplicado em praticamente todas das áreas de conhecimento. Sutherland, um dos criadores do scrum, atribui como características do framework: a capacidade de autocorreção, a evolução constante e uma fortíssima adaptabilidade.

O eduScrum é apresentado aos alunos no primeiro dia de aula, e a primeira coisa a se fazer é escolher as equipes, ou seja, com quem querem trabalhar. O importante não é aprender a trabalhar sozinho, mas sim trabalhar juntos. Após a definição dos times cada um faz a sua apresentação, enfatizando os pontos fortes e o que tem a contribuir com a equipe.

O professor atua como o Scrum Master, ele é coach dos alunos. Ele identifica através dos quadros Scrum onde está a dificuldade e explica rapidamente algum conceito mais complexo, às vezes, escolhe algum item da coluna “concluída” e faz um breve teste oral. Os alunos simplesmente abrem seus livros e começam a aprender sozinhos, ou melhor a ensinar uns aos outros.

No Brasil, o framework eduScrum já foi utilizado em 3 turmas do terceiro semestre do Curso Superior de Sistemas para Internet, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), conforme descrito pelos professores Karen Selbach Borges, Marcelo Augusto Rauh Schmitt e Silvana Marx Nakle. No artigo os autores puderam comprovar na prática os benefícios da aplicação do eduScrum.

Para saber mais:

Informações sobre Scrum: http://www.scrumguides.org/ Neste site você pode fazer o download do Guia do Scrum: um guia definitivo para o Scrum – As regras do jogo.

Artigo dos professores Karen Selbach Borges, Marcelo Augusto Rauh Schmitt e Silvana Marx Nakle: http://www.cinted.ufrgs.br/ciclo23/arti-aprov/127902.pdfOs professores estão desenvolvendo um software para auxiliar na aplicação do eduScrum.

Site Oficial do eduScrum: http://eduscrum.nl/ No site você pode fazer o download do Guia eduScrum

O Bussines Transformation Summit foi um evento realizado em São Paulo nos dias 07 e 08 de outubro deste ano sobre transformação em diversas áreas de conhecimento. O evento foi idealizado por José Davi Furlan e Leandro Jesus.http://www.businesstransformation-br.org/

Sobre o autor

Rodrigo Zambon
Sólida experiência em Metodologias Ágeis e Engenharia de Software, com mais de 15 anos atuando como professor de Scrum e Kanban. No Governo do Estado do Espírito Santo, gerenciou uma variedade de projetos, tanto na área de TI, como em outros setores. Sou cientista de dados formado pela USP e atualmente estou profundamente envolvido na área de dados, desempenhando o papel de DPO (Data Protection Officer) no Governo.
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